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domingo, 13 de novembro de 2011

Quando as bananas comem os macacos

Estava conversando com uma amiga. Ela me contava que seus filhos estavam loucos para ganhar um Nintendo DS. Porém, estava ela e o marido resistindo muito em dar o brinquedo às crianças. Questionei o porquê. Ela me explicou que todas as vezes que iam jantar com os cunhados em algum restaurante, a cunhada tirava da bolsa dois consoles e entregava um na mão de cada filho. Assim, os sobrinhos passavam o tempo todo do jantar jogando, seus filhos olhando, e nenhuma das crianças participavam direito do jantar.

Durante muito tempo mantive firme a resistência com videogames modernos. Até que dois anos atrás, meu marido Bernardo estava na China e acordamos que ele traria um Nintendo Wii. Quando chegou em casa, nossos dois filhos, Hall e Ilha, encantaram-se com o brinquedo. No ano seguinte, as crianças ganharam seus consoles DS.

Como funciona aqui em casa: os pais são os responsáveis pelos filhos. Somos nós quem autorizamos ou não as coisas que as crianças querem fazer. A Ilha é mais velha, mais responsável, mais obediente. Já Hall, seis anos mais novo, adora desafiar. Mesmo assim, conseguimos educar os dois com relação aos games. Só jogam aos finais de semana. Cada um tem direito a uma hora, no máximo duas no sábado e o mesmo no domingo. Neste período, precisam decidir se vão jogar Wii, DS ou brincar no computador. Se foi difícil? Não, pois em casa é tudo combinado e não achamos nada salutar que crianças pequenas se viciem em tecnologia.

Tenho vontade de presenteá-los com um iPad. Condições financeiras para isto, graças a Deus, nós temos. No entanto, seria mais uma coisa para controlar, e acho que ainda não é hora.

Hoje, como na maioria dos domingos, fomos à padaria da esquina tomar nosso café da manhã. Saímos de casa para espairecer, para comermos todos juntos, sentados, mas sem orgias alimentares. Ilha, pré-adolescente, não desiste. Chega na padaria, senta e pergunta se pode comer misto quente. Não. Misto quente não é comida de café da manhã. Pode comer num lanche da noite, em substituição ao jantar, exporadicamente. Comemos nosso pão na chapa e suco de laranja. Voltamos sempre todos felizes para casa.

O mundo vive uma obcessão em busca da saúde, e não mais da magreza. Os níveis de colesterol elevados, o número de pessoas com diabetes cada vez maior e mesmo assim, os pais permissivos deixam seus filhos se lambuzarem nos fast foods da vida. Nossos filhos adoram, mas aos poucos fomos cortando, e hoje, comem estas porcarias no máximo uma vez por mês. Querem comer hamburguer? Vamos fazer todos juntos em casa? Vira um programa de família, todos participam e ganham em saúde.

Hall completou recentemente seis anos. Disse que faríamos um jantar especial no dia do seu aniversário e sabem o que ele quis comer? M.I.O.J.O. Fiquei feliz em saber que a alimentação em casa está tão saudável, a ponto de meu filho quererm Miojo no dia do seu aniversário, uma espécie de prêmio.

Nós somos responsáveis pelos herdeiros do futuro. Temos que preparar estes herdeiros para que façam do mundo um mundo melhor.

A família Vasconcellos está fazendo a sua parte. E a sua família, tamvém faz?

Valentina Vasconcelos